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    April 14

    Sempre!

     
     
    Sempre vou ter você perto de mim,
    Mesmo longe.
    Sempre vou ter o seu calor,
    Mesmo no inverno da vida.
    Sempre vou ouvir sua voz,
    Mesmo em permanente solidão.
     
    Te dediquei o meu amor,
    Pois acreditei em meu coração.
    Te dediquei a minha paz,
    Pois acreditei em tua verdade.
     
    Sei que não sou eterno
    Mas acredito na imortalidade,
    Por isso, mesmo que o amor
    Não permaneça na força inicial,
    Ele será o tônus da minha vida,
    Pois é difícil imaginar viver
    Sem a tua presença.
     
    Não acredite em palavras.
    Elas são fáceis de serem ditas.
    Acredite em meu olhar,
    Pois ele jamais mentiria,
    E sempre irão traduzir
    O que vai em minha alma.
     
    Tive você no crepúsculo
    E em todo o caminho do sol.
    Não permitas que no ocaso
    Venha a te perder,
    Pois não saberei caminhar
    Sem a luz dos meus olhos.
     
    Sinto uma imensa dor
    Quando minha mão só encontra o vazio.
    Sinto a angústia dominar-me
    Quando não ouço o seu murmúrio.
    Seu perfume me diz da sua presença
    Seu calor me acalma e acalenta.
     
    O que dizer de mim, sem ti.
    O que dizer de ti, sem que fale de mim.
    Não mais sou eu desde que a conheci.
    E quando te toco, sinto em meu corpo
    A pressão deste toque.
    Sinto em minha alma
    O frêmito do prazer.
     
    E como me separar de ti
    Sem que eu me mutile.
    E como aumentar mais meu amor
    Se não sei onde termina o universo.
    E como deixar de dizer: Eu te amo!
    Se não conheço outra forma universal
    De dizê-lo.
     
    E se um dia a vida não mais existir.
    O sol não mais brilhar.
    A lua e as estrelas não mais surgirem.
    E o nada se fizer presente.
    Eu pedirei a Deus, que se tudo de novo
    Ele fizer.
    Que comece a vida criando: Você e eu

    Adolfo dos Santos Turbay
     


    April 07

    Onde está Deus???

     

     

    Onde está Deus?

    Pergunta o cientista, ninguém O viu jamais.


    Quem Ele é?

     Responde às pressas o materialista:

    Deus é somente uma invenção da fé!


    O pensador dirá, sensatamente:


    - Não vejo Deus, mas sinto que Ele existe!

    A natureza mostra claramente em que o poder do Criador consiste.


    Mas o poeta dirá, com segurança de quem afirma porque tem certeza:


    - Eu vejo Deus no riso da criança,

    No céu, no mar, na luz da natureza!


    Contemplo Deus brilhando nas estrelas,

    no olhar das mães fitando os filhos seus,

    nas noites de luar claras e belas, que em tudo pulsar o coração de Deus!


    Eu vejo Deus nas flores e nos prados,

    nos astros a rolar pelo infinito,

    escuto Deus na voz dos namorados,

    e sinto Deus na lágrima do aflito!


    Percebo Deus na frase que perdoa,

    contemplo Deus na mão que acaricia,

    escuto Deus na criatura boa e sinto Deus na paz e na alegria!


    Eu vejo Deus no médico salvando,

    pressinto Deus na dor que nos irmana,

    descubro Deus no sábio procurando compreender a natureza humana!


    Eu vejo Deus no gesto de bondade,

    escuto Deus nos cânticos do crente,

    percebo Deus no sol,

    na liberdade e vejo Deus na planta e na semente!


    Eu vejo Deus,

    enfim, por toda parte,

    que tudo fala dos poderes seus,

    descubro Deus na expressão da arte,

    no amor dos homens também sinto Deus!


    Mas onde sinto Deus com mais beleza,

    na sua mais sublime vibração,

    não é no coração da natureza,


    É dentro do meu próprio coração.

    José Soares Cardoso

     


     

    March 28

    A Ponte


     

     
    Toda corrente de água desliza entre duas margens.
    Margens que detêm e ordenam.
    Que impedem de invadir os campos.
    Que lhe traçam um caminho.
     
    Duas margens que permitem essa água formar um todo e realizar sua tarefa:
    Regar as planícies através das quais desliza.
    E as margens ficam distantes uma da outra ...
    Elas, porém, podem unir-se. Aproximar-se.
    Fundir-se quase, quando sobre as águas se estende uma ponte.
     
    Olhando a ponte sente-se a tarefa imensa e ao mesmo tempo agradável,
    executada pela ponte.
    Como um abraço amigo aproxima duas separações.
    Como um diálogo silencioso faz conversarem duas solidões.
    Como a mão estendida fraterniza dois estranhos.
     
    Se a ponte pudesse sentir, poderíamos, sem medo, qualificá-la de feliz.
    Feliz por ser capaz de tornar o outro feliz.
    E nunca se colhe maior felicidade do que quando se semeia felicidade.
     
    A ponte tem, para cada um de nós, um profundo e significativo simbolismo.
    É a lição perene, silenciosa e rica, no dia-a-dia de sua missão de
    ligar e aproximar.
    De cortar distâncias.
    De separar abismos.
     
    Diante de uma ponte nos ocorre reflexões que alguém escreveu:
    " Em êxtase contemplativo olho a ponte, admiro a ponte, escuto a
    linguagem da ponte ...
    ... Sou forte, terrivelmente forte. Resisto a todos e permaneço sempre
    estática, mas perseverante em meu posto de serviço.
    O segredo de minha força ???
    De minha perseverança ???
    De minha grandeza ???
    Nasci para unir.
    Vivo para unir.
    Sirvo para unir ! "
     
    Como gostaria de ser ponte também !
    Para unir a terra aos céus !
    Unir os desunidos.
    Unir os desencontrados.
    Unir os corações.
     
     
    Hugo Di Baggio